Tragédia do Meco, o que falhou?

Foi a 15 de Dezembro de 2013 que seis estudantes da Universidade Lusófona perderam a vida, engolidos pelo mar, na praia do Meco. Estava eu no meu último ano de curso e tinha bem presente o que eram as praxes, sabia o que eram abusos e como os excessos podem trazer graves consequências. Por isso fiquei chocada com a tragédia e os acontecimentos daquela madrugada, de alguma forma, mexeram comigo. Conhecia o mar do Meco e sabia como ele poderia ser cruel numa noite de inverno, no meio da escuridão, depois de uns copos a mais e sem haver real noção do perigo.

Mas depois de uma tragédia desta dimensão há que enterrar os mortos e cuidar dos vivos. Porque houve seis pais que perderam os filhos de forma trágica e houve um sobrevivente, o dux da Universidade Lusófona, que alegadamente estaria a comandar uma praxe na praia. Algo que nunca foi confirmado por João Gouveia, único sobrevivente.

O que falhou nesta investigação?

Foi numa madrugada de inverno que seis jovens perderam a vida de forma trágica na praia do Meco, existe um único sobrevivente e muito se especula sobre o que aconteceu, mas todos nós, portugueses, esperamos que o Estado português faça o seu trabalho – INVESTIGUE – o que aconteceu de facto naquela noite.

Mas o Estado falhou!

  • A reconstituição do que aconteceu na praia do Meco só foi feita dois meses após a tragédia.
  • A casa alugada pelos estudantes não foi devidamente selada. Durante a investigação várias pessoas tiveram acesso à mesma, impossibilitando os exames forenses. Podem ter-se perdido provas importantes.
  • A roupa que o dux vestia naquela noite foi levada para investigação dois meses depois.
  • O computador de João Gouveia foi levado para investigação em março de 2014, decorridos três meses da tragédia.
  • As testemunhas e os vizinhos da casa alugada pelos jovens só foram ouvidos pelas autoridades um mês e meio depois dos acontecimentos.

Ninguém imagina a dor daqueles pais, que só queriam uma explicação para o sucedido. O único sobrevivente foi pressionado a falar e acusado de homicídio pela opinião publica, mas após várias queixas dos pais das vitimas, o tribunal da Relação de Évora concordou que as vítimas eram adultas e não haviam sido privados da sua liberdade durante a praxe, pelo que não havia responsabilidade criminal sobre João Gouveia. Concordo com esta decisão, porque o Estado falhou e mesmo que este jovem tenham sugerido que os colegas fossem para junto do mar, todos eram maiores de idade e sabiam as consequências das suas atitudes. Porque seis jovens morreram, mas um sobreviveu e ficou com a vida destruída, perseguido por uma tragédia onde viu morrer seis amigos.

Estado Português condenado

O pai de Tiago Campos, um dos jovens que morreu na tragédia do Meco considerou que o Estado português falhou nesta investigação e apresentou queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Este considerou que a investigação judicial à morte do estudante Tiago Campos foi “ineficaz” e condenou o Estado português a pagar 13 mil euros à família do estudante.

O Tribunal Europeu considerou que a investigação criminal não foi suficiente para assegurar os requisitos do artigo 2 – direito à vida – da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e que poderiam ter sido tomadas medidas logo após a tragédia.

 

 

4 thoughts on “Tragédia do Meco, o que falhou?

  1. Realmente um caso muito confuso e misterioso, que dor dakeles pais, o sobrevivente devia contar o ke realmente se passou para os pais descansarem…
    Muita tristeza…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *