Crónica de um corpo real

Desde pequena que sou gordinha e sempre convivi bem com isso. Nunca tive problemas em assumir o meu excesso de peso e isso não foi impedimento par sair com os amigos, ir à praia, à piscina ou viajar. Tive uma infância feliz e nunca me faltou nada. Mas na escola as crianças são cruéis e ouvi diversas piadas por ser gorda, que me deixavam triste, mas com as quais acabei por conseguir conviver sem dar grande importância.

Fui para a faculdade e entrei na idade adulta. Aquela gordurinha deu lugar a uma obesidade e comecei a lutar por perder peso, com esta ou aquela dieta, que apenas provocavam feito yo-yo e o peso que perdia voltava a adquirir. Não foi uma época fácil, porque não gostava de me ver com roupa nenhuma, tudo me ficava mal e não me sentia bem comigo mesma.

Em Dezembro de 2017 fiz uma cirurgia baypass – depois de longos meses de consultas e exames – e tudo correu bem. Não tive complicações e em oito meses passei dos 120kg para os 80kg. Apesar de ouvir muitas opiniões negativas e que mexem com o psicológico, a decisão de fazer a cirurgia foi minha e não me arrependo de ter lutado por aquilo que realmente queria. Queria uma vida com mais qualidade de vida, queria ir às compras e não estar limitada à roupa que me servia, queria que as pessoas que me olhavam de lado vissem que consegui.

Mas a cirurgia não resolve o problema da obesidade sozinha e para alcançar o resultado pretendido estive 2 meses só a beber líquidos e outros tantos a comer pequenas quantidades só comparadas ao que um bebé de 6 meses consegue comer. Isto tudo contribuiu para o sucesso da cirurgia e para o melhoramento da minha autoestima.

Bem, passados 8 meses comecei a comer de tudo e isso inclui doces, fritos e salgados. Sem nenhum enjoo, sem vomitar e ficar maldisposta. Isso fez com que o peso aumentasse 5 kg e variasse entre os 85kg / 86kg, segundo o médico algo normal para um organismo que se está a adaptar a uma nova realidade.

Esta crónica gigante serve para vos dizer que se devem aceitar-se como são, sem medo dos julgamentos dos outros. Apesar de ter barriga e pele flácida, este ano ousei vestir um biquíni e mostrar o meu corpo real. O que tenho não é gordura, mas sim marcas do tempo que me vão acompanhar para sempre e que tenho orgulho de mostrar, porque é sinal que estou viva.

1 thought on “Crónica de um corpo real

  1. Olá minha kerida em primeiro parabéns pelo sucesso alcançado, ja eu fui ao contrário sempre fui magra elegante com peso ideal é nos últimos 4anos engordei devido a problemas de saude mas espero ainda recuperar…
    Gostei do post

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